Texo de autoria de professor, jornalista e escritor Sérgio Mattos apresentado no "Forum Revista - 200 anos", promovido
pela revista Imprensa e ABI - Bahia. A primeira revista
brasileira foi publicada na Bahia em 1812 , Variedades. O texto também
está disponivel no Observatorio da Imprensa desde o ultimo dia 17.
Sérgio
Mattos[1]
O
objetivo deste trabalho é tentar identificar respostas plausíveis para o
questionamento proposto por este painel: Por que as revistas morrem? Inicialmente
vou traçar um panorama geral sobre o segmento revista na Bahia, depois no
Brasil, para em seguida me concentrar numa revista baiana com a qual tive um
envolvimento pessoal, a NEON, que surgiu em janeiro de 1999
e desapareceu em dezembro de 2004, deixando saudade porque foi um veículo que soube
valorizar, preservar e resgatar a nossa cultura, mostrando aos baianos e aos
brasileiros os valores da Bahia. Um breve relato da história da NEON,
acredito, reúne inúmeras evidências que servem de respostas para a pergunta chave
deste painel. No entanto, gostaria de frisar que este trabalho não apresenta
conclusões, apenas levanta questões e observações que merecem um estudo mais
aprofundado das evidências que se apresentam como causas para o desaparecimento
de algumas revistas e motivos para o surgimento de novos títulos tanto no
cenário nacional como no regional.
CENÁRIO DAS REVISTAS NA
BAHIA
Desde
o ano de 1812, quando surgiu na Bahia a primeira revista do Brasil, As Variedades
ou Ensaios de Literatura, lançada por Manoel Antonio da Silva Serva, em
Salvador, até os dias atuais, a capital baiana viu surgir e desaparecer
inúmeras revistas, que não conseguiram passar do fatídico terceiro número
(TAVARES, 2011). Foi também com a
participação de uma jornalista baiana, Violante Bivar Velasco, que surgiu o
primeiro periódico feminino do Brasil, o primeiro veículo dirigido a uma
audiência segmentada, ou seja, O Jornal das Senhoras, que surgiu no
ano de 1852, no Rio de Janeiro.
Durante
o século XX, quando o modelo de negócio revista ganhou corpo e se fez presente
em todo o país, este segmento da mídia impressa sempre sofreu com o
desaparecimento de títulos, fossem eles de circulação nacional ou regional. Uma
revista de variedades que circulou na Bahia e que sobreviveu por mais de 21
números foi a revista Única, de Amado Coutinho, que
desapareceu após o golpe de 1964.
No
ano de 1968 a Bahia vivia um movimento cultural intenso com o surgimento de
inúmeras revistas de cunho literário, a exemplo de Experimental, Serial
e Conclave.
Tal ambiente fortaleceu o interesse pela leitura, ocasionando o surgimento de
várias mídias alternativas. Foi nesse período que surgiram revistas como Bahia Agora, de Álvaro
Meira, Gumercindo Rocha Dorea, Omar Barros e Hélio Vieira Santana, proprietário
das Artes Gráficas, uma das maiores gráficas privadas de Salvador na época.
Mesmo tendo uma gráfica para dar suporte a Bahia Agora não ultrapassou ao
quarto número.
A
EDISA, do empresário Elmano Castro, que estava montando o jornal Tribuna da Bahia, lançado em 1969, e , em
paralelo, implantando também um parque gráfico para prestação de serviços e que
deveria ser um dos maiores do Nordeste. Sob o comando de Quintino de Carvalho,
primeiro redator chefe da Tribuna, o
grupo idealizou uma revista, a Tribuna Econômica, devido ao
contexto de desenvolvimento comercial e industrial da Bahia que apontava para a
necessidade de uma mídia especializada. Apesar de ter um grupo econômico forte
por detrás, a revista Tribuna Econômica, mesmo usando toda
a infraestrutura, inclusive os profissionais que estavam sendo treinados para o
jornal, também não passou do terceiro número.
No
mesmo período, o jornalista e publicitário Helio Teixeira de Freitas com uma
estrutura bem simples, limitada a uma sala, com secretária e uma redação composta
por quatro jornalistas trabalhando no esquema freelancer, conseguiu lançar a
revista Liderança, de circulação dirigida e gratuita, na qual trabalhei
como redator e repórter. Os exemplares eram distribuídos na área comercial,
industrial, bancária , turística e publicitária de Salvador, obtendo retorno
positivo pois conseguiu emplacar mais de vinte números mantendo uma circulação
regular. A revista era impressa em offset com a capa impressa pelo menos em
duas cores. No final, o seu proprietário tinha comprado uma gráfica e a revista
passou a ser impressa sem a mesma qualidade até desaparecer no início dos anos
1970. A Viver Bahia, criada e
mantida pelo Governo do Estado também circulou por mais de 20 números, apesar
de ter tido uma circulação irregular, com grandes interrupções.
Mais
recentemente, em 6 de abril de 2008, vinculada e encartada no jornal A Tarde, surgiu a revista Muito[2]
, a única revista semanal da Bahia e algumas outras destinadas a nichos sociais
como a revista Licia[3],
a Revista
do Yacht [4],
além de outras mais recentes e extremamente segmentadas como Nosso
Bairro[5]
, Revista B+[6]
, Bequadro[7]
e a revista Metro Quadrado[8]
. Estes são apenas alguns dos títulos que se encontram em circulação em
Salvador e que talvez seja de completo desconhecimento de muitos, mas esta
informação mostra que temos vários
títulos circulando em Salvador e que não entram na contagem do total de títulos
existentes no país. Isso sem citarmos as revistas destinadas a produtos
químicos, as vinculadas a determinados segmentos profissionais, como a revista
dos supermercados, do pólo petroquímico e muitos outros exemplos com tiragens
limitadas e distribuição dirigida. Muitos também são os títulos de revistas
acadêmicas/universitárias e/ou vinculadas a instituições e fundações que mantem
revistas periódicas em circulação, mas que não possuem a característica de
revista noticiosa ou de variedades. Muitas dessas inclusive estão adotando a
versão eletrônica, mudando da plataforma impressa para a plataforma digital
devido ao custo de produção.
Na
Bahia existem também revistas bimensais, bimestrais, semestrais e anuais, a
exemplo da revista Omega, vinculada ao grupo Omega de Estudos Holísticos e
Transpessoais que está circulando nacionalmente desde janeiro do ano 2000. Isto
quer dizer que a mídia revista continua viva, tanto no país como um todo como
na Bahia em particular, resistindo a tudo, inclusive à concorrência da mídia
digital.
Nos
principais municípios da Bahia também surgiram e desapareceram várias revistas
como a Panorama, de Feira de Santana, Bahia em Foco[9],
de Jequié, e outras que circularam e continuam circulando de maneira irregular
em várias regiões do Estado, principalmente na região cacaueira. Seria impossível enumerar todas, mas nos
últimos anos, inúmeros foram os títulos de revistas lançados e que
desapareceram ou continuam a circular a duras penas em Salvador, tais como as
revistas NEON, a Revista dos Municípios, a Exclusiva[10],
a Bahia
Atual entre outras.
Atualmente, vários são os tipos de revistas existentes na
Bahia, que se utilizam tanto da plataforma impressa como da eletrônica para
se manter em circulação . São revistas noticiosas e de variedade
(disponibilizadas em bancas para o público em geral), revistas customizadas (de
circulação dirigida e distribuição gratuita para públicos especializados),
revistas sindicais, revistas religiosas, revistas acadêmicas/universitárias,
revistas oficiais (publicadas por órgãos do governo), e revistas eletrônicas de
todos os tipos de conteúdo e dirigidas a públicos também segmentados.
CENÁRIO
NACIONAL DA MÍDIA REVISTA
Em
nível nacional, até mesmo revistas baseadas em projetos e estratégias
mercadológicas de empresas constituídas, em épocas diferentes, ao longo do
século XX, a exemplo de O Cruzeiro, Manchete, Fatos
& Fotos, Realidade, Revista da Semana e
muitas outras fecharam por motivos diversos, enquanto outras conseguiram manter-se
a partir da segmentação do mercado que se apresenta como a saída perfeita para
a permanência dos títulos. Hoje, no Brasil, a mídia mais segmentada que existe,
podemos dizer, é a mídia revista, pois encontramos títulos destinados a vários
segmentos de interesse humano ou nichos de mercado específicos. Se antes
tínhamos uma revista Rural, que abordava de tudo, da pecuária à agricultura,
hoje já encontramos títulos para cada tipo de raça de gado, de cavalo, de bode,
de cães e gatos, ou tipo de plantio específico, cacau, café, laranja, milho e
soja entre outras culturas.
A
segmentação do mercado e a busca de públicos específicos é a solução para a
sobrevivência, mesmo que em alguns casos a solução da busca da audiência
dirigida esteja calcada em bases radicais. Exemplo de segmentação é a revista Raça Brasil,
cuja experiência foi descrita pelo jornalista Bernardo Kucinski da seguinte
forma:
Um
caso interessante de revista que teve de negar parte da identidade para
sobreviver é o da Raça Brasil,
mensal, que vende 700 mil exemplares. É um sucesso, mas passou pelo pior,
quando anunciantes não queriam associar sua imagem à dos negros. A revista
abandonou sua linha de contestação, virando revista de moda e cosméticos para
consumo de uma nova pequena burguesia negra. Lentamente, segundo seu fundador,
Big Richard, anúncios começaram a chegar. Dez anos depois de lançada, repleta
de anúncios dedicados à beleza, Raça
Brasil só se distingue das revistas convencionais da Abril pela cor dos
corpos que enaltece (KUCINSKI, 2007).
Segundo
a Associação Nacional de Editores de Revistas – ANER, que não possui registro
nem controle sobre os inúmeros títulos regionais, o segmento revista envolve
mais de quatro mil títulos. De acordo com informações do IVC – Instituto
Verificador de Circulação, e dos distribuidores nacionais, em 2008, existiam
3.915 títulos em circulação, sendo que destes apenas 2.255 tinham circulação
regular (ANER, 2010).
As
estatísticas atualizadas da ANER mostram
que houve um aumento em torno de 10% na circulação total de títulos semanais
entre 2009 e 2010 o que estaria revelando a pujança do setor. Quanto à
variedade de títulos, esse número cresceu entre 2009 e 2010, de 4.432 para
4.705 títulos demonstrando um surpreendente aumento de 273 novos títulos. Nos
últimos dez anos registrou-se também um crescimento na diversidade de
alternativas para os leitores de revistas. Do total de quase cinco mil títulos de
revistas apenas 223 estão filiados aos IVC – Instituto Verificador de Circulação[11]
(ANER,2010).
De
acordo com projeções, até o ano de 2020 deverão surgir no país mais de 200
novos títulos de revistas segmentadas de circulação nacional sem contarmos com
os títulos regionais. No século 21, já se tem o registro de que entraram em
circulação, pelo menos, dez novos títulos de revistas por ano, apesar da
concorrência ostensiva da mídia televisiva e da Internet, que já se transformou
na terceira maior mídia do mundo em faturamento, superando a mídia revista que
passou a ocupar o quarto lugar em faturamento. As projeções indicam que até
2015 a Internet deverá capitalizar mais
anúncios do que jornais e revistas juntos aqui no Brasil, passando a ser a segunda maior mídia em
faturamento publicitário, perdendo apenas para a televisão (MEIO &
MENSAGEM, 2011).
O
modelo de negócio revista conta à sua disposição com mais de 35 mil pontos de
vendas distribuídos por todo o País, sem contar com as lojas de varejo que
também disponibilizam a venda de revistas aos seus clientes. Com esta base de
vendas e mais o aumento do poder aquisitivo das classes C e D, os empresários
vinculados à mídia revista têm encontrado motivos suficientes para investir na
segmentação como estratégia de crescimento, promovendo pesquisas de mercado
para identificar tendências de comportamento e desejos dos leitores para
produzir e colocar no mercado títulos que possam acompanhar as tendências e a
realidade atual do mercado.
Um
dos problemas que se apresenta neste momento para a mídia revista é o monopólio
da distribuição de revistas em nível nacional ou até mesmo regional. Hoje, os
canais de distribuição de revistas está sob o monopólio do Grupo Abril que já
detinha 70% do mercado e em 2007 adquiriu a segunda maior distribuidora brasileira,
a Fernando Chinaglia, que detinha os
outros 30 % do mercado (KUCINSKI, 2007). A empresa do Grupo Abril que detém o
monopólio de distribuição é a DINAP. Uma das soluções para vencer o monopólio
da distribuição é a fidelização dos leitores por meio de campanhas de
assinaturas, que podem ser entregues por meio dos Correios. Outra, é
diversificar o conteúdo para atrair novos nichos de consumidores.
O
Cenário da última década apresenta dois períodos distintos. No período de 2000
a 2005 ocorreu a recuperação de margem de lucro dos produtos, transformando as
editoras em empresas mais saudáveis e preparadas para crescer. Algumas não sobreviveram
a este período. Num segundo momento [de 2006 a 2010], as editoras investiram em
dois mercados importantes e as circulações e faturamento cresceram. O primeiro
mercado, a exemplo do que ocorreu com os jornais, foi o de revistas populares,
com preços médios para o consumidor variando entre R$ 3 e R$ 4 reais. Este mercado foi mais desenvolvido nas revistas
semanais a partir de 2007 e, nas mensais, a partir de 2008. O segundo mercado
com investimento e crescimento importante é o de revistas mensais “segmentadas”
com preço de capa acima de R$ 10. Este nicho apresenta evolução de preços junto
com a inflação, possui presença tanto nas vendas avulsas quanto em assinaturas
e foi desenvolvido com maior força a partir de 2005. (IVC, 2011).
Nesse
período, 2000 a 2010, é bom salientar, as edições digitais não apresentaram
números expressivos. O evento mais relevante nesta área foi o surgimento dos
Tablets, mas eles também, seguindo o IVC, não influenciaram ainda na circulação das
revistas.
Como
nos informa Alexandre Lemos (2008): “Semanalmente,
circulam pelo País quase um milhão de exemplares de revistas populares com
conteúdo focado no universo feminino e na programação televisiva, sobretudo nas
novelas”. Vale
salientar que a estabilização da moeda com o Plano Real, a partir de 1994,
possibilitou a multiplicação de revistas de conteúdo popular, a exemplo de TiTiTi,
da Editora Símbolo, Ana Maria e Viva!Mais, da Editora Abril, que só em 2010 venderam juntas mais de
25 milhões de exemplares (ENFECHAMENTO, 2012).
Muitos
estudiosos profetizam o desaparecimento da mídia impressa, que vem sendo
substituída aos poucos pela mídia digital, além de sofrer forte concorrência no
que diz respeito à participação no bolo publicitário. No entanto, quando
verificamos os investimentos que foram realizados nos últimos anos em tecnologia
impressa, o mínimo que podemos fazer é desconfiar das profecias, pois a
categoria empresarial envolvida nessa mídia é muito bem informada e não daria
murros em ponta de faca se o fim do impresso estivesse tão próximo. Observe-se
que, a título de exemplo, só o Grupo Abril, fundado em 1950, que se caracteriza como um dos maiores e mais
influentes na área de comunicação em toda a América Latina, empregando mais de sete mil pessoas, vem
aumentando , nos últimos anos, seus investimentos na área do impresso. O Grupo atua em várias frentes, na área de mídia
(Editora Abril, Mídia Digital, Elemidia, Alphabase, MTV e Casa Cor); possui Gráfica,
Logística de Distribuição e Serviços, além da educação, com a Abril Educação. O
Grupo fornece informações, cultura e entretenimento para praticamente todos os
segmentos de públicos, atuando de maneira estratégica, por meio da integração
de várias mídias (ABRIL, 2012). Recentemente, em 2011, a Abril realizou um
grande investimento, no setor de impresso, cujas informações estão disponíveis
no site do Grupo:
O
Grupo Abril inaugurou em 01/09/2011 a nova impressora de rotogravura Cerutti 7
para a Abril Gráfica. A máquina italiana tem capacidade para imprimir mais de
900 páginas por segundo, trazendo aumento na produtividade, queda do consumo de
energia em 10% e possibilidade de impressão com cores especiais e aroma. O
investimento de R$ 42 milhões neste projeto vai ao encontro da constante
inovação em tecnologia promovida pela empresa (ABRIL, 2011).
Ao
tomar conhecimento deste e de outros
investimentos pesados que estão sendo feitos pelo segmento empresarial que atua
na mídia impressa, principalmente na mídia revista, o que poderemos dizer sobre
o futuro dessa mídia? O que justificaria
o investimento no monopólio da distribuição de revista no País se o Grupo não
acreditasse no segmento? Acredito que os estudos sobre as revistas deveriam
considerar e refletir um pouco mais sobre o tipo de diálogo que as revistas
estão praticando para a sociedade e dentro
dela. É necessário que estes estudos se concentrem na identificação e descrição
das variadas áreas de informações, dirigidas aos mais distintos segmentos de
públicos, para melhor entender as
tendências do setor. Isto porque a revista é uma mídia especial que abriga
vários produtos, sabe preservar um relacionamento de cumplicidade com seu público
leitor, além de se apresentar, tecnicamente, com um formato que facilita a
portabilidade, para usarmos um termo que está em moda.
Uma
explicação lógica para esse crescimento de títulos de revistas por todo o País foi
o barateamento dos custos de produção e impressão, o que tem estimulado o
surgimento de revistas temáticas, destinadas aos mais variados tipos de
audiência, seja aquele formado por raça, por religião, por profissão ou gênero. A tecnologia disponível hoje no mercado
possibilitou o surgimento de títulos de revistas de pequenas tiragens e segundo
dados oficiais o setor de títulos de revistas cresceu cerca de 80% entre 1996 e 2006, apesar da circulação total
de revistas no país ter diminuído no mesmo período em cerca de 12%
(KUCINSKI,2007).
RELATO DO CASO DA REVISTA NEON
Em
1998 a Bahia estava experimentando outra época de pujança econômica, a cultura
baiana estava em alta, a música da Bahia e o Axé Music tinham estourado. Tudo estava dando certo, as bandas
e os artistas baianos ocupavam espaços na mídia nacional e vendiam mais de um milhão de cópias de discos. O
carnaval da Bahia estava no auge. Todas as tendências econômicas, comerciais e
as novas aspirações do nosso público empurravam para a necessidade de uma
revista baiana. Afinal de contas em todos os Estados brasileiros circulavam
revistas, só na Bahia nenhuma delas conseguia sobreviver. Esse era um tabu a
ser vencido. A situação econômica do
país juntamente com a explosão cultural da Bahia eram favoráveis à criação de uma revista
totalmente voltada para a Bahia. A seguir relato, em forma de depoimento
pessoal, o caso da revista NEON:
Em
abril de 1998 começamos a elaborar um
projeto gráfico e editorial com o
objetivo de levar ao público leitor, por meio de uma revista mensal de
qualidade, fatos, informações e comentários relativos à arte, à cultura e ao
entretenimento na Bahia. O primeiro número
da revista NEON foi lançado em janeiro de 1999, tendo Ivete Sangalo na
capa. A expectativa de sucesso da NEON estava baseada em tendências
que apontavam a indústria do entretenimento como o grande negócio que se podia
vislumbrar para o século 21, além de indicadores favoráveis em nosso Estado, a
saber:
·
A redução gradual da carga horária de
trabalho, na maioria dos países, era uma perspectiva de ampliação do tempo das
pessoas para o lazer;
·
As atividades artísticas e culturais
estavam substituindo os esportes como principal opção de entretenimento da
sociedade;
·
A indústria do entretenimento na Bahia
tinha sido a que mais havia crescido na última década do século 20,
movimentando nos anos de 1998 e 1999 aproximadamente 5 % do Produto Interno
Bruto (PIB) estadual;
·
No ano de 1998, Salvador recebeu mais de
três milhões de turistas gerando uma receita superior a US$ 900 milhões com
forte impacto sobre o PIB estadual;
·
O carnaval de 1999, quando a revista já
estava em circulação, atraiu mais de meio milhão de turistas, o que consolidava
a Bahia como segundo maior pólo turístico brasileiro;
·
As indústrias ligadas às atividades de
entretenimento (indústrias de cerveja e refrigerantes) na Bahia vinham
registrando entre 1995 a 1999 um crescimento superior a 50%;
·
O mercado baiano estava mostrando a sua
disposição de consumir produtos locais como Axé Music e os blocos de carnaval,
libertando-se em parte da submissão cultural e artística produzidas no sul do
país.
Além
destes aspectos, dois fatos de repercussão histórica, artística e cultural
iriam ocorrer logo após o lançamento da revista NEON: a celebração dos
450 anos de fundação da cidade do Salvador e as comemorações dos 500 anos do “achamento”
do Brasil. Visto sob todos estes aspectos, a revista NEON nasceu numa época
propícia e de grandes expectativas nas áreas da cultura, das artes e do
entretenimento na Bahia, vindo a preencher o vazio existente no setor editorial
relativo a esses segmentos. Acreditávamos e vendíamos a NEON como o meio ideal
para atingir o público consumidor da área de entretenimento, possibilitando
excelente retorno ao investimento que viesse a ser feito, fundamentado em dados
de pesquisa.
O
projeto gráfico-editorial estava bem definido, estabelecendo que uma entrevista
de fundo deveria sempre abrir a revista
com assuntos e entrevistados de interesse. Artigos opinativos ou de caráter histórico e reportagens
investigativas eram a base da revista,
abordando temas atuais ligados à arte, à cultura, ao entretenimento e à história
da Bahia. Colunas especializadas e
assinadas por nomes de destaque na sociedade baiana também eram um forte
chamariz de leitores. Além disso, fechando a revista, oferecíamos um roteiro
completo, apresentando e detalhando os principais eventos do mês e das opções
de laser e entretenimento da cidade. A NEON circulou com um mínimo de 66 a 98
páginas nos dois primeiros anos, fazendo cumprir a periodicidade. As nossas
capas eram uma atração à parte e apresentava sempre um close de uma
personalidade de qualquer campo da atividade humana que estivesse em destaque no
período de cada edição. Até mesmo quando o nosso principal assunto foi o Rio
São Francisco, quando também se comemorou os 500 anos de seu “achamento”, usamos o maior símbolo do
Rio, uma Carranca, como foto de capa para não perdermos nossa
característica. Quando não podíamos
produzir a foto da capa, procurávamos os desenhistas e caricaturistas baianos
amigos que produziram belíssimas capas[12]
para a NEON – todas as nossas matérias eram ilustradas e coloridas
(MATTOS, 2011).
O lançamento da NEON foi um sucesso de
venda e de público. A revista caiu no gosto dos leitores e passou a ser adotada
pelas escolas que a utilizavam como material para-didático, tendo em vista o
peso dos conteúdos veiculados e dos nomes das pessoas que colaboravam com a
revista. A NEON não era apenas uma revista ilustrada como as outras, nem
tão pouco uma revista efêmera. A NEON reunia fatos, fotos, história,
música, teatro, cultura, culinária, literatura e turismo, formando um balaio
cultural baiano de peso. Oferecíamos exatamente o oposto de outras revistas.
Oferecíamos profundidade nos textos, pois acreditávamos que como o produto era
mensal as pessoas teriam mais tempo para ler. Era uma revista que passou a ser referência,
uma revista que passou a ser colecionada e admirada. Produzíamos, portanto, uma
revista para ser guardada, colecionada e para ser usada como fonte de consulta,
uma referência sobre a arte, a cultura e a música da Bahia. Mesmo tendo deixado
de circular em 2004, a revista continua sendo lembrada pelas pessoas e citada
como referência em artigos, monografias, dissertações e teses.
Nossa
tiragem era de 20 mil exemplares, da qual colocávamos uma pequena parte nas
bancas e distribuíamos todo o resto da edição gratuitamente. Nossa intenção era
fazer o veículo circular, tornando-se conhecido, pois não tivemos recursos para
a campanha de lançamento, limitando-nos à divulgação nos jornais, rádio e
televisão da cidade. E assim a distribuíamos em escolas, consultórios médicos e
odontológicos, escritórios de advocacia e de negócios. Distribuíamos também
exemplares em agências de turismo, além de enviá-la para todas as 417
prefeituras do Estado e colocá-la nas salas de espera de todas as autoridades
estaduais, municipais e federais existentes em Salvador.
Parte
da tiragem era distribuída nos aviões que partiam de Salvador para todos os
cantos do Brasil. Foi assim que recebemos cartas de vários cantos do mundo
elogiando e querendo saber como fazer para continuar recebendo uma revista de
conteúdo como a nossa. Alguns leitores davam testemunhos de terem encontrado a NEON
nos escritórios da Varig de Nova Iorque e de Londres, e em agências de viagem
no exterior entre outros locais. Mantínhamos uma lista de endereços, atualizada,
de pessoas qualificadas para quem enviávamos, via correio, os nossos
exemplares.
O
nosso público, portanto, estava indo além dos baianos, estávamos fazendo uma
revista local que virou global, sem termos uma infraestrutura adequada para tal.
Não tínhamos capital de giro e não podíamos fazer campanha de assinatura, pois
não sabíamos se a revista daria certo ou não, após aquele primeiro momento e
não estávamos dispostos a ser acusados de caloteiros.
O
nosso maior problema, como foi dito, era a falta de capital de giro. Além
disso, os anunciantes tinham 60 dias para pagar o anúncio veiculado enquanto
nós tínhamos apenas 30 dias de prazo para pagar as faturas das gráficas que
imprimiam a revista. A nossa estratégia
publicitária também foi errada, pois nos concentramos nos grandes anunciantes,
que compravam páginas inteiras, páginas duplas, capas e contra capas, deixando
de lado os possíveis pequenos anunciantes que poderiam ter diluído nossa dependência
nos poucos e grandes e nos fortalecido mais com a diversificação de fontes de
faturamento. Como não tínhamos equipe de
vendas, cuidávamos pessoalmente dos contatos oficiais e com as agências de
publicidade. Quando tentamos contratar uma equipe de vendas tivemos prejuízo,
pois os vendedores queriam salário, mais comissão e o pagamento de todas as
despesas feitas antes que tivéssemos visto os resultados do trabalho por eles
efetuados.
Certa
feita, nós contratamos um cidadão para vender uma edição especial dedicada à
Chapada Diamantina e só tivemos prejuízos, inclusive arcando com as despesas do
hospital e do conserto do carro dele que sofreu um acidente. Mas a dificuldade
não impediu que a edição especial circulasse nos acarretando inclusive com
novos prejuízos devido ao projeto ousado que havíamos bolado, ou seja, encartar
na revista um mapa com os roteiros da Chapada Diamantina e quando pronto, o
mapa não ficava dentro da revista porque ambos foram confeccionados em papel
couchê e escorregava para fora. Tivemos que investir em sacos plásticos especiais
só para aquele número que teve Zélia Gattai na capa
Outra
grande decepção que acarretou um abalo financeiro na revista foi o fato de que alguns
dos nossos maiores e mais frequentes anunciantes haviam proposto que deveríamos
participar do Programa do FazCultura (uma versão estadual da Lei Roanet de
incentivo fiscal). Topamos, pois o nosso perfil se enquadrava perfeitamente às
linhas do programa e aquela opção seria ótima para todos. Depois de três meses veiculando
anúncios sem receber, devido à morosidade
no andamento dos processos, quando fomos receber o dinheiro correspondente
fomos informados que dois dos nossos maiores clientes na época, a então Copene e a Coelba, não poderiam participar do
Programa do FazCultura porque estavam em situação irregular junto à Secretaria da Fazenda do Estado.
Voltamos aos nossos clientes que confirmaram o fato, mas que como tinha sido
combinado, eles só poderiam assumir o pagamento de 20% correspondente ao valor
dos anúncios uma vez que as despesas relativas aos 80% restante não estava no orçamento deles porque
deveriam ser pagos por meio do incentivo fiscal. Considerando que tínhamos que
pagar 20% às agências de publicidade pela produção e veiculação a título de
comissões, ficamos sem receber nada daqueles clientes que ocuparam exatamente páginas
duplas, capas e contracapas com anúncios.
Nossa
dificuldade financeira começou aí e não houve meio de aguentar o tranco, até
porque, para agravar a situação, algumas Prefeituras que nunca tinham anunciado na NEON
e que estavam sendo administradas por prefeitos recém eleitos pelo PT, nos
procuraram e contrataram várias páginas de anúncios que nunca foram pagos. Observe-se
que para piorar a situação tínhamos que recolher os impostos nos primeiros dias
do mês subseqüente ao da emissão das notas fiscais que só receberíamos 60 dias
depois de emitidas e isso, quando recebíamos. Com o agravamento da situação
começamos a deixar de pagar inclusive alguns dos nossos colaboradores e
prestadores de serviços jornalísticos, reduzindo o número de páginas de cada
edição e perdendo a periodicidade, da qual tanto nos orgulhávamos.
No
último ano de existência da NEON, 2004, voltamos a concentrar esforços no sentido de
que a revista voltasse a ser mensal, mesmo que com uma tiragem menor (cinco mil
exemplares) e com uma quantidade de páginas reduzidas a 36 por edição. O conteúdo da revista também foi adaptado em
função das tendências comerciais. Passamos a incluir assuntos destinados a
novos segmentos, tais como seções sobre agronegócios, economia, seguros e uma coluna sobre gente que faz e
acontece, além de preservar a parte
cultural da proposta inicial.
Em
2004 a NEON se constituía como sendo a única revista mensal da Bahia
que só abordava assuntos baianos e/ou de interesse da Bahia e dos baianos. Em
dezembro de 2004, circulou o último número da revista NEON, cuja
capa foi dedicada ao professor e jornalista Jorge Calmon, o decano do
jornalismo baiano, que no ano seguinte, 2005, completou 90 anos e vários
eventos estavam sendo preparados para comemorar o fato. Enfim, deixamos de
circular, mas o nosso maior legado foi o de mostrar que a Bahia tinha
condições, a exemplo dos outros Estados, de ter também uma revista,
contribuindo, portanto, para inspirar
outras pessoas e grupos empresariais a lançarem novos produtos. Como resultado
da experiência da NEON, hoje, estão circulando inúmeros títulos de revistas
segmentadas na Bahia.
Feito
este breve depoimento de algumas das principais causas que levaram ao
desaparecimento da revista NEON
, entre inúmeras outras não listadas aqui, gostaria de enumerar, de uma maneira
geral, que as causas para o
desaparecimento de revistas ou revistas descontinuadas, como preferem dizer os
mais técnicos, são: a falta de parque gráfico próprio; a falta de um projeto
gráfico editorial adequado à realidade do mercado; falta de anúncios regionais; falta de uma maior diversificação de
anunciantes; falta de periodicidade; falta
de estrutura de distribuição; falta de um gerenciamento administrativo
profissional; falta de convencimento e aceitação das agências de publicidade em
relação aos produtos locais; falta de um
trabalho dirigido no que diz respeito à fidelização de leitores, por meio de um
sistema de assinatura que garanta a
sobrevivência dos pequenos veículos.
Se
tudo isso não bastasse temos ainda o fato de que as revistas regionais são vistas
pelas agências de publicidade como mídia alternativa, que não oferece retorno a
seus clientes. E o pior é que quando se
consegue um anúncio direto de um cliente local, ele é obtido a título de ajuda
e, após esse ato de caridade, o
anunciante sente que ficará livre de novos pedidos de anúncios dizendo
laconicamente: “Olha, eu já colaborei
com vocês, agora só no ano que vem”. Em síntese tudo se resume às dificuldades
de distribuição do produto, na manutenção da periodicidade e do faturamento
constante.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
E
Para finalizar voltamos à pergunta inicial: Por que é que as revistas morrem?
Naturalmente
que muitas respostas dadas aqui, podem ser aplicadas a praticamente todas as
revistas brasileiras que desapareceram, sejam elas de grande porte ou
regionais. Inúmeros são os títulos desaparecidos por causas diferentes, mas pesquisando
sobre a causa do desaparecimento de tantas revistas encontrei uma perola que
responde plenamente a este questionamento. Encontrei a resposta na revista Exclusiva,
que foi lançada em 1988 com o propósito de ser mensal, não conseguindo o
intento. Passou um longo período circulando anualmente apenas no período do
carnaval baiano, como se fosse uma
revista carnavalesca. Em 2009, quando completou 21 anos, voltou a ser mensal
com a edição Exclusiva Online[13].
A Exclusiva,
registre-se aqui, foi a primeira revista
baiana a se transformar numa revista eletrônica.
Mas,
vamos ao que interessa. Em editorial assinado e publicado na edição número 101,
de fevereiro de 2012, o editor Clovis Dragone, da revista Exclusiva, de Salvador, fez a seguinte denúncia:
Chegou
o ano de 2012 e não podemos negar que esta edição deveria ter sido lançada
desde dezembro [de 2011] passado, porém, por força das circunstâncias só agora
foi possível o seu lançamento.
Na verdade, aqui no Estado da Bahia, todas as revistas enfrentam problemas com sua periodicidade, sem exceção, até mesmo a Governo do Estado, que tem verba predestinada para não depender de anunciantes outros. Porém, no caso das revistas comerciais, a falta de apoio das agências de publicidade locais, consequentemente a falta de anunciantes é o principal empecilho para a manutenção e o crescimento das publicações.
Em nosso caso, por exemplo, uma revista que tem mais de 23 anos de circulação, deveria estar na grade de mídia de todas as agências da cidade, porém, pasme-se, a maioria dos “mídias”, sequer têm conhecimento da existência desta publicação e de muitas outras com mais de 10 anos na praça, por falta total de preparo e capacitação de suas agências que se fecham apenas para as publicações oriundas do eixo Rio/São Paulo, isso desde sempre.
Existem ainda uma meia dúzia de revistas circulando na cidade, a maioria delas com informações enganosas sobre suas tiragens e periodicidade; inchadas com artigos e “matérias” sem conteúdo jornalístico; com anúncios fictícios de empresas que jamais publicariam nesses veículos pagando, mas grafam em seus expedientes endereços também fictícios da capital baiana e de São Paulo, com correspondentes fantasmas e corpo de funcionários inexistentes. Assim conseguem por algum tempo buscar junto a algumas agências e clientes, verbas que as sustentam por um bom tempo. Porém um dia deixam de circular, quando os investidores percebem que estão sendo enganados.
Com a Exclusiva é diferente, se não podemos, dizemos, fazer o quê, se o baiano gosta muito do que é importado?”(DRAGONE, 2012).
Na verdade, aqui no Estado da Bahia, todas as revistas enfrentam problemas com sua periodicidade, sem exceção, até mesmo a Governo do Estado, que tem verba predestinada para não depender de anunciantes outros. Porém, no caso das revistas comerciais, a falta de apoio das agências de publicidade locais, consequentemente a falta de anunciantes é o principal empecilho para a manutenção e o crescimento das publicações.
Em nosso caso, por exemplo, uma revista que tem mais de 23 anos de circulação, deveria estar na grade de mídia de todas as agências da cidade, porém, pasme-se, a maioria dos “mídias”, sequer têm conhecimento da existência desta publicação e de muitas outras com mais de 10 anos na praça, por falta total de preparo e capacitação de suas agências que se fecham apenas para as publicações oriundas do eixo Rio/São Paulo, isso desde sempre.
Existem ainda uma meia dúzia de revistas circulando na cidade, a maioria delas com informações enganosas sobre suas tiragens e periodicidade; inchadas com artigos e “matérias” sem conteúdo jornalístico; com anúncios fictícios de empresas que jamais publicariam nesses veículos pagando, mas grafam em seus expedientes endereços também fictícios da capital baiana e de São Paulo, com correspondentes fantasmas e corpo de funcionários inexistentes. Assim conseguem por algum tempo buscar junto a algumas agências e clientes, verbas que as sustentam por um bom tempo. Porém um dia deixam de circular, quando os investidores percebem que estão sendo enganados.
Com a Exclusiva é diferente, se não podemos, dizemos, fazer o quê, se o baiano gosta muito do que é importado?”(DRAGONE, 2012).
REFERÊNCIAS
ABRIL. Grupo Abril
inaugura nova impressora de rotogravura para a Abril Gráfica, 2011. Disponível
em: http://www.grupoabril.com.br/noticias/noticias-site_400236.shtml Acesso em 29/02/2012.
ABRIL. Abril Mídia
anuncia mudanças na sua estrutura, 2012. Disponível em: http://www.grupoabril.com.br/noticias/noticias-site_400777.shtml Acesso em 29/02/2012.
ANER – Associação
Nacional de Editores de Revistas. Mercado Brasileiro de Revistas. São Paulo:
ANER, 2010.
DRAGONE, Clovis. Que
Sufoco!. In Exclusiva, edição
101, Fev. 2012.
ENFECHAMENTO. História
das revistas femininas no Brasil. Jan.2012. Disponível em: http://www.emfechamento.com.br/2012/01/historia-das-revistas-femininas-no.html Acesso em 25/02/2012.
IVC – Instituto
Verificador de Circulação. Estudo sobre
circulação de revistas- Mercado Brasileiro: 2000-2010. São Paulo: IVC, set.
2011.
KUCINSKI, Bernardo.
Comunicação, o desafio da esquerda. In Revista Brasil, edição 19, Dez. 2007.
Disponível: http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/19/comunicacao-o-desafio-da-esquerda.
Acesso em 08/03/2012.
LEMOS, Alexandre Zaghi.
Cresce a circulação das revistas semanais populares. In Meio & Mensagem, março
2008. Disponível em: http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&task=view&id=2793 Acesso em 08/03/2012.
MATTOS, Sérgio. Jornalismo Fonte e Opinião. Salvador:
Quarteto, 2011.
MEIO
& MENSAGEM. Circulação de revistas bate recorde.
São Paulo: set. 2011. Disponível em: http://www.meioemensagem.com.br/home/midia/noticias/2011/09/09/20110909Circulacao-de-revistas-bate-recorde.html
. Acesso em 23/02/2012.
MEIO
& MENSAGEM. Mídia online passa o meio revista em
faturamento publicitário. São Paulo, 2011. Disponível em: HTTP://www.portaldemidia.ufms.br/?p=1368 Acesso em 23/02/12.
NEON – Revista de Arte
Cultura. Salvador: Editora PAS, 47 edições, Jan.1999-Dez. 2004.
TAVARES, Luis Guilherme
Pontes. Variedades - Uma revista raríssima. In Observatório da Imprensa, 2011. Disponível em: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/uma_revista_rarissima
A cesso em: 19/03/2012.
[1] Sérgio Mattos é jornalista diplomado pela
UFBA, mestre e doutor em Comunicação pela Universidade do Texas, professor da
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, além de integrar as diretorias da
Associação Bahiana de Imprensa (ABI), na função de 2º vice-presidente para o
biênio 2011-2012, e do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), como
diretor de publicações. É autor de 44
livros, dentre os quais destacam-se Mídia Controlada: a história da censura no
Brasil e no mundo (Editora Paulus, 2005); O Contexto Midiático (IGHB, 2009); História da Televisão Brasileira: uma visão econômica, social e
política (Editora Vozes, 2010, 5ª edição ampliada). Texto preparado para o “Fórum
Revista ano 200”, realizado no dia 3 de abril de 2012 numa promoção da revista Imprensa-Jornalismo e Comunicação e pela
Associação Bahiana de Imprensa –ABI .
[2] A revista Muito, lançada em 6 de
abril de 2008, circula encartada nas edições dominicais do jornal A Tarde, sem ônus para o consumidor, com
uma tiragem de 50 mil exemplares. Trata-se da primeira revista semanal da
Bahia.Está também disponibilizada na web.
[3] A revista mensal Licia – Luxo, Inspiração, Comportamento,
Inteligência, Atitude, da promoter Licia Fabio, foi lançada em setembro
de 2009, com projeto gráfico de Sérgio Gordilho, diretor de criação da África,
agência de publicidade de Nizan Guanaes.
Trata-se de uma revista voltada para a elite social focando a arte, a música e
estilo de vida.
[4] O número 66 da Revista
do Yacht circulou no carnaval de 2012. Trata-se de uma publicação
bimensal, com 15 mil exemplares, destinada aos associados do Clube. A Canal 2
Comunicação e Eventos Ltda é a responsável pela produção desta e de outros títulos.
[5] A revista Nosso Bairro, que circula
na Barra, Itaigara e Pituba, é mais uma das revistas produzidas pelo Canal 2
Comunicação e Eventos Ltda. Já se encontra no quarto ano e no nº 35. Pode ser
acessada no link www.canal2.com.b
[6] A revista B+, uma evolução da Business
Salvador, foi lançada no dia 23 de agosto de 2011 com a proposta de ser
bimestral com tiragem de 10 mil exemplares
[7] Bequadro é uma revista sobre música
baiana, que divulga outras facetas contemporâneas alheias ao mercado do Axé. É
distribuída gratuitamente e produzida com o patrocínio da Conexão Vivo através
da lei de incentivo à cultura do Governo do estado da Bahia. Lançada em
fevereiro de 2012 disponibiliza também versão em PDF para download.
[8] Focada no mercado imobiliário, a
revista Metro Quadrado, lançada em 2011, já a partir do seu terceiro
número ganhou versão eletrônica para iPad App Store. A revista surgiu com o
objetivo de fornecer aos leitores algo mais do que apenas anunciar lançamentos
imobiliários. Tem distribuição gratuita e pode ser acessada no link http://macmagazine.com.br/2011/06/13/focada-no-mercado-imobiliario-revista-baiana-metro-quadrado-ganha-versao-para-ipad/
[9] A revista Bahia em Foco, editada
por Wilson Midlej, era uma revista impressa que basicamente circulava no Sul e
Sudoeste da Bahia a partir de Jequié. Hoje circula apenas com a versão
eletrônica.
[10] O meu envolvimento com a revista
Exclusiva
foi de colaboração na indicação do nome. Um ex-aluno, Péricles Diniz Bahia,
trabalhava comigo no jornal A Tarde,
quando um dia do ano de 1988 chegou à redação com a informação de que,
juntamente com um contraparente, iria lançar uma revista, que não tinha ainda um
nome definido. Foi então que sugeri,
baseado na proposta do conteúdo, o nome Exclusiva, que acabou sendo adotado
e registrado. Meu ex-aluno, jornalista e companheiro afastou-se do grupo
inicial que tocou o projeto da revista que, a duras penas, continua tentando
sobreviver agora na plataforma digital. Péricles é, atualmente, professor no curso de Jornalismo, na Universidade
Federal do Recôncavo da Bahia.
[11] De acordo com dados do Instituto Verificador de
Circulação (IVC), entre julho de 2010 e junho de 2011, a média de circulação paga
de revistas no Brasil associadas ao Instituto de Verificador de Circulação foi
de 13.735.919 exemplares, o que representa um recorde para o setor e um aumento
de 5,1% em relação á média registrada entre julho de 2009 e junho de 2010. Para
atingir a esse total o IVC considerou apenas 172 títulos a ele filiados, sendo
25 deles de circulação semanal, 145 mensais e duas publicações quinzenais.
[12] O critério de seleção das capas da NEON
era simples, direto e relacionado com a época da publicação. Considerando que a
Bahia é muito rica em personalidades, em todas as áreas do conhecimento e das
atividades humanas, a escolha das capas
não era difícil. Um dos critérios era
identificar os valores de cada uma das áreas culturais e assim, entre outras,
publicamos capas dedicadas a: destaques musicais, no carnaval ou na época dos
festejos juninos (Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Carlinhos Brown, Zelito
Miranda, Adelmário Coelho); destaque no
teatro (Nilda Spencer), destaque da história da Bahia (Tomé de Sousa, Maria
Quitéria, Rui Barbosa), destaque nas artes plásticas (Calazans Neto, Carlos
Bastos), destaque na literatura (Jorge Amado, Zélia Gattai), destaque como historiador (Cid Teixeira, Pedro
Calmon, Waldir Freitas de Oliveira), ou, como na última capa, destaque no
jornalismo (Jorge Calmon). Os nossos principais
capistas/caricaturista/desenhistas foram Gentil, Reinaldo Gonzaga e Setúbal,
que também trabalhavam no jornal A Tarde,
a quem muito devemos pela qualidade das capas produzidas. O fotógrafo que
mais produziu fotos de capas para NEON foi Osmar Gama. Conhecido como sendo o
fotógrafo oficial dos artistas da Bahia.
[13] Depois da adoção da versão
eletrônica, a revista Exclusiva Online passou a se declarar
como “a revista diária da Bahia para o
Brasil”. O site da revista é www.revistaexclusiva.com.br